quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Evidências científicas e seus níveis

Toda semana é a mesma coisa, a imprensa publica algum estudo sobre novas "descobertas" e "tendências" nas dietas ou estilo de vida das pessoas  que deveriam influenciar em novos hábitos de vida saudável.
Porém, sem analisar o mérito das matérias, que estudos são esses?
Será que a imprensa sabe diferenciar os diversos níveis da evidência científica e separa o "joio do trigo?

 Parece que não.........

Tem muita matéria publicada que deveria ser simplesmente ignorada por fazer um verdadeiro desserviço a população.
Recentemente a Lara Nesteruk (nutricionista) escreveu sobre o assunto de forma resumida  em seu site, e transcrevo:

"É de suma importância que todo profissional que depende de publicações científicas para atualizar-se entenda pelo menos um pouco de bioestatística, epidemiologia, metodologia da pesquisa científica como um todo.
Infelizmente na prática, não é o que acontece.
Recentemente, vi uma excelente profissional citar um estudo de coorte transversal para tirar uma conclusão, e ainda salientou “ele tem 30 anos!”, um erro crasso, que no meio acadêmico é completamente inadmissível.
Estudos de associação e correlação são excelentes para levantar hipóteses, mas de maneira alguma podem estabelecer causa-efeito, qualquer um que entenda o MÍNIMO de metodologia sabe disso, trata-se do básico.
Mas como é um erro comum, já que os cursos de graduação são absurdamente falhos nesse quesito e nem todo profissional tem apego ao estudo, há a necessidade de esclarecer os diferentes tipos de estudos ao público leigo.
É importante deixar completamente claro, que cometer um erro de metodologia e interpretação de texto DE MANEIRA ALGUMA quer dizer que o profissional é ruim ou incompetente.
Quer dizer apenas que ele não domina aquela área, e que não está apto a escrever ou opinar AQUELE assunto. Mas não o desqualifica para seu trabalho diário ou suas funções! Ninguém chega aonde está se não por mérito! Cada louro é conquistado por suor e trabalho e deve ser aplaudido!
Vamos então entender de forma breve e simplificada a diferença entre os tipos de estudos.
Como vocês sabem, hoje em dia, na internet, todo mundo manja muito de ciência! Discutem periódicos e até pedem referências científicas quando veem algo de que desconfiam! Isso é ótimo! Mas, será que quem faz isso, sabe mesmo o que é uma referência científica válida? 🤔
Para quem está no meio acadêmico isso já pode ser confuso, para quem nunca esteve nem perto dele, pode ser uma bagunça só!
Então vamos entender isso.
Existem vários tipos de evidências científicas, umas com um peso maior, outras menor. Nem tudo que está na literatura científica é regra e deve ser levado ao pé da letra, principalmente porque a pressão para publicar e fazer citações é tão grande, que muito do que é produzido, é simplesmente lixo (sim, triste, mas verdade).
Então vamos entender os sete tipos de referências científicas na ordem de importância (da de menor peso, para a de maior peso),  assim você poderá entender o por que “apresentar uma referência” pode não significar NADA!
As referências científicas de menor peso são:
1A- ESTUDOS IN VITRO
 Neste, você pode observar uma experiência fora de um organismo vivo, é possível ver processos bioquímicos em um “pratinho de vidro”! O que pode ser muito útil para, por exemplo, testes com medicações antes que estas sejam testadas em animais e posteriormente em humanos, mas de forma alguma o resultado de um destes estudos, pode ser extrapolado para a realidade sem antes percorrer este “caminho”!
1B-OPINIÃO DE ESPECIALISTA
Já a Opinião de um Especialista é quando um profissional (com título acadêmico) diz o que ELE(A) acha de um certo assunto, sem necessariamente referenciar suas conclusões.
É por causa disso que você ouve afirmações começadas com “mas o Dr. Fulano disse..”, ou “Mas a nutri tal falou..”, “mas ele tem doutorado”, ou ainda “mas ela é mestre em tal coisa”.
O especialista pode ter o maior currículo acadêmico do mundo, mas sua opinião ainda é nível BAIXÍSSIMO de evidência científica e não deve ser aceitada como verdade absoluta!
2- RELATOS DE CASO que são basicamente “estórias” de um certo evento, narrados sob o ponto de vista do autor. Por exemplo: “Fulano deu entrada no hospital com parada cardíaca após anos ingerindo gordura saturada”.
Este caso, não prova se o que fez o fulano ter parada cardíaca FOI a ingestão de gordura e nem o quanto, como, quando ele ingeriu isso! Não tem controle de variáveis e é extremamente suscetível ao crivo de quem escreve! Não há como saber se este fulano do exemplo, também fumava e não contou ao médico, ou se estava num momento de extremo esforço e não contou ao entrevistador, se tem história de evento cardíaco na família, ou mesmo não tem como definir se a ingestão de anos de algo foi “grande” ou “pequena”! Afinal, todas as informações de um relato de caso dependem muito do que o paciente e o médico falam, relembram e supõem! Pode ter exames? Pode ter comprovação do que se afirma? PODE! Mas aquilo está restrito àquele caso! SÓ! Não pode ser extrapolado para uma população!
Por isso o nível de validade desta referência científica é baixo!

3- EXPERIMENTOS EM MODELOS ANIMAIS! 
São aqueles feitos principalmente em roedores.
O falecido Dr. Folkmann, GIGANTE pesquisador de câncer e angiogênese uma vez disse: “Se você for um camundongo e tiver câncer, posso curá-lo!
Com o perdão da piada, isso é genial!
O que ele quis dizer e que muitos deveriam saber é que apesar de termos os mecanismos fisiológicos muito parecidos com o de certos animais, isso não significa que o que vale neles, valerá para nós!
Quando um estudo avalia, por exemplo, a ingestão de gordura em roedores, que são adaptados a comer GRÃOS, é comum que se dê aos ratos gordura e se encontre problemas! CLARO! Eles são roedores! Foram feitos para roer grãos! Não são carnívoros, não comem carnes e gorduras a milhões de anos!
É óbvio que quando os colocamos em uma dieta com óleos e gorduras, isso terá desfecho desfavorável! Um ratinho ingerir gordura sintética em um experimento, NÃO É A MESMA COISA que você ingerir gordura natural de ovos, manteiga e carne de bichos criados soltos! Você, como raça humana, se alimenta disso há milhões de anos!
Por isso e por tantos outros pontos, experimentos em animais NÃO DEVEM TER SEUS RESULTADOS EXTRAPOLADOS PARA HUMANOS.
Eles levantam boas hipóteses, para serem testadas em humanos posteriormente!
No entanto se algo já se demonstrou ser bom em humanos, é inútil tentar provar o contrário utilizando animais!
4- ESTUDOS DE CASO CONTROLE!
São estudos observacionais epidemiológicos! É quando um pesquisador pega um grupo de pessoas com uma doença e compara com outro grupo de pessoas SEM a tal doença.
Este modelo de estudo parte do desfecho para levantar a HIPÓTESE da causa, ou seja, ele NÃO PODE ESTABELECER CAUSA E EFEITO, pode apenas levantar uma questão que deverá ser analisada, posteriormente, em um EXPERIMENTO.
Quer ver como funciona?
Dr Souto dá um exemplo muito bom disso: o fato de que no verão aumenta-se o número de ataques de tubarão em uma praia enquanto, ao mesmo tempo, aumentam-se as vendas de sorvete nesta mesma praia, não significa que tomar sorvete cause ataques de tubarão, quer dizer apenas que são dois fatos relacionados que tem como “fator comum” o verão (verão = + gente na praia = + ataques de tubarão)!
O maior exemplo deste tipo de erro é em estudos (observacionais) que apontam gordura saturada como algo relacionado à eventos cardíacos.
O fato de analisar uma grande população e ver que quem diz comer mais gordura também é quem tem mais infartos não quer dizer que a gordura CAUSOU o infarto, só quer dizer que quem não obedece à restrição de gordura vigente nas diretrizes nutricionais e come gordura (e por isso, por não “se preocupar muito com diretrizes”, possivelmente TAMBÉM fuma, TAMBÉM não pratica exercícios físicos, TAMBÉM come excesso de farináceos, doces e TAMBÉM bebe) acaba também apresentando estes eventos cardíacos!
Então como comprovar uma teoria levantada em um estudo epidemiológico observacional?
Estamos partindo agora para os níveis altos de evidência científica, vamos para o próximo
5-ESTUDOS DE COORTE.
Neste modelo existe o acompanhamento (através de exames, questionários) de uma população que será analisada por anos (no caso de um prospectivo) ou terá anos anteriores analisados (no caso de um retrospectivo) a fim de identificar fatores de risco.
É possível ver o risco absoluto e o risco relativo de um evento e estudar o modo como a presença de certo comportamento influencia o aparecimento de determinada doença (sempre considerando os fatores de risco)!
Quer um exemplo?
Conseguimos ver que pessoas que fumam por longos anos, desenvolvem câncer de pulmão com maior frequência do que quem não fuma, é possível analisar inclusive quais as chances (o risco) de desenvolver este câncer, caso o sujeito fume!
O triste é que muitas empresas (principalmente da indústria farmacêutica) manipulam estudos assim, utilizando o risco relativo para justificar a prescrição de uma droga!
Entenda assim: quando você sai à rua, há UMA chance de ser atropelado. Se você sair duas vezes por dia, DOBRAM suas chances de ser atropelado (risco relativo).
Acontece que se analisarmos quantas pessoas saem às ruas todos os dias versus quantas são atropeladas, veremos que o risco (absoluto) disso acontecer é realmente baixo.
Então posso dizer numa manchete de jornal: “sair à rua duas vezes ao dia, dobra as chances de morte por atropelamento”, mas isso não seria real ou honesto, porque não necessariamente dobrar o risco, significa dobrar o número de pessoas atropeladas.
Embora “dobrem-se” as chances de você ser atropelado o RISCO ABSOLUTO disso acontecer é pequeno.
Ninguém deixaria de sair à rua por isso, não é mesmo?
Por isso, analisar qual destes riscos foi considerado na hora de publicar os dados de um estudo científico é MUITO importante!
E daí chegamos no ALTO nível de evidência científica: 
6- ENSAIOS CLÍNICOS RANDOMIZADOS!
Estes sim devem ser levados em conta para comprovar uma teoria, do tipo: “gordura saturada NÃO é uma vilã”, “reduzir a gordura da dieta NÃO trás benefícios”, ou “Low Carb é uma abordagem eficiente no tratamento de obesidade, esteatose, diabetes e síndrome metabólica”.
Neste modelo, um grande número de pessoas é sorteada (randomizada) para dois ou mais grupos e um destes grupos sofrerá uma intervenção, um experimento (uma dieta, um tipo de treinamento, ou o uso de uma medicação) e o outro grupo servirá de controle (não fará a intervenção).
Este tipo de estudo pode SIM sugerir CAUSA E EFEITO, e não associação, como no caso dos outros modelos citados nos posts anteriores.
Acima destes estão o “santo-graal da evidência científica”:
7-REVISÕES SISTEMÁTCAS DE ENSAIOS CLÍNICOS RANDOMIZADOS E AS META-ANÁLISES!
E precisamos delas porque, por mais que um experimento chegue a um resultado, aquilo pode ser real APENAS naquela população estudada!
Mas uma revisão sistemática reúne 10, 20, 200, 300 (ou quantos forem) experimentos destes (ensaios clínicos) e analisa os dados chegando à uma conclusão!
São estudos como este que mostram, por exemplo, que uma alimentação LOW CARB tem função cardioprotetora, ou seja: NÃO “entope veias”, NÃO causa “risco cardiovascular” e NÃO é algo “doido”, “para ganhar dinheiro”, “modismo”, ou “charlatanismo”!

Então da próxima vez que você encontrar um texto ou um profissional citando referências científicas, entenda que isso POUCO significa!
O mais importante é o TIPO desta referência! E mesmo assim não estamos salvos… Mas isso é um assunto para um outro dia!
Depois de ler estes posts todos, recomento que acesse o blog do Dr. Souto sobre esse assunto, basta clicar aqui

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Cirurgias adaptativas

Recentemente, o Dr. Marcelo Cardoso, médico e cirurgião geral fez uma manifestação pelo blog Paleodiário do Hilton, que achei sensacional, e compartilho:

"Escrevo esse texto em resposta a uma reportagem que uma paciente deixou no meu consultório. Tratava da história de um dos médicos que iniciou a era das “cirurgias metabólicas”, as cirurgias que pretendem reverter a obesidade e o diabetes. Na reportagem o médico se dizia maravilhado com a melhora metabólica após as cirurgias.

Então, minha opinião é a expressa abaixo.

Ao longo de milhões de anos a natureza acumulou a informação genética que outros milhares de anos usaram para esculpir nossa anatomia e nossa fisiologia. Temos um só estômago, um intestino delgado longo e um intestino grosso curto. Isso nos permite comer comidas densamente nutritivas. Em outras palavras: menos quantidade de comida, comidas mais nutritivas e calóricas. E extrair a energia química armazenada nelas por um processamento complexo e eficiente que oferta energia o suficiente para ser usada e adequadamente armazenada.

Isso nos proporciona a liberdade, e o poder, de não precisar passar o dia inteiro comendo. Isso tornou possível o nosso desenvolvimento intelectual e aumentou a nossa capacidade de trabalho.

Nessa evolução, nossa dieta foi adaptada pela oferta. Arbitrariamente a natureza nos ofereceu o que tinha, e nosso organismo aprendeu a viver com isso.

Hoje nem pensamos mais sobre o que comemos. Comemos o que há à disposição para se comer. E decidimos o que comer com livre arbítrio. Podemos comer qualquer coisa, a qualquer hora. Nós escolhemos.

Em geral comemos muito menos proteína do que podemos. Muito menos gorduras do que necessitamos. E muito mais carboidrato do que deveríamos. Além de itens que nunca antes foram considerados por nós como itens possíveis de serem comidos (como gramíneas e cascas de grãos). Ou ainda itens que literalmente não existem disponíveis na natureza (como óleos artificiais e seus derivados, além de aditivos químicos e realçadores de sabor).

Não comemos mais a quantidade e a qualidade de proteínas que nosso estômago é capaz de digerir. 
Sentimos fome.

Não comemos mais a quantidade e a qualidade de gorduras para nos ofertar energia e proporcionar saciedade por mais tempo. 
Sentimos fome.

Comemos carboidratos em quantidade, qualidade e frequência que induzem reserva muito maior que a nossa exigência energética. Essa indução de armazenamento (anabolismo) e consequente inibição do uso do armazenado (catabolismo) também nos dá fome, gerando um ciclo interminável. Voltamos a ser como ruminantes. 
Temos fome o tempo todo. 
Pensamos em comida o tempo todo.

A complexidade bioquímica do sistema digestório capaz de PROCESSAR uma dieta densa e nutritiva está sendo usada para absorver uma dieta pobre e JÁ SUPERPROCESSADA. Substituímos raízes e frutas por farináceos e açúcar, castanhas por “snacks”, carnes por empanados, gorduras naturais por frituras, margarinas e óleos. E adicionamos doces, bolachas, bebidas adoçadas e fast foods.

Não comemos mais gorduras naturais o suficiente para manter nossa vesícula vazia, mas ela segue exercendo sua função. Armazena e concentra a bile até virar pedra - colelitiase e colecistite, que exige correção cirúrgica.

Nosso apêndice cecal é um órgão vestigial ligado a imunidade e é exposto a uma condição de disbiose e alteração do ambiente bioquímico inflamatório, o que gera edema e obstrução - apendicite, que exige correção cirúrgica.

Esse mesmo ambiente pode favorecer divertículos e pólipos, e, quem sabe, tumores. 

Que exigem correção cirúrgica.

As características acima (baixa densidade nutricional, processamento, caráter inflamatório), que determinam fome, compulsão e armazenamento, produzem obesidade

Que exige correção cirúrgica. Sério mesmo???

Colecistectomia, apendicectomia, cirurgia bariátrica, interposição ilegal, colectomia.

E sério isso? 

A Medicina propõe cirurgias para adaptação aos alimentos processados? 

Cirurgias para adaptação a estilos de vida sem nenhum comprometimento com a saúde?

Milhares de anos de evolução postos fora!

Estou sendo retrógrado? Ultrapassado?

Deixaremos que a nossa dieta seja substituída por produtos superprocessdos, banhados por pesticidas, contaminada por metais pesados, pobre nutricionalmente, e proporemos alterações anatômicas para sobrevivermos?

Como se o corpo estivesse errado e a dieta certa?

 O futuro da medicina é criar pulmões capazes de fumar? 
Articulações e músculos capazes de serem sedentários?
 Pele capaz de sintetizar vitamina D com luzes fluorescentes?

Na minha opinião, a Medicina praticada assim é como o pai que protege o filho e obriga o professor a passá-lo de ano mesmo tendo sido um péssimo aluno. Um pai que não aprendeu a educar. Que não aceita que educar é também dizer não.

Em que momento da história a Medicina vai propor menos remédios e menos cirurgias, e vai prescrever mais qualidade de vida, andar descalço a céu aberto, comer comida conforme a fome, a priorizar práticas que conduzam a desfechos positivos?

Estou de folga. Vou desligar o computador. Vou pra rua. Brincar descalço com meus filhos, a céu aberto, pegar sol e comer umas castanhas...

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

A conexão hiperinsulinismo/resistência a insulina e a doença

Cada vez mais, seja em palestras, blogs e redes sociais sobre o assunto saúde metabólica, o tema hiperinsulinismo/resistência a insulina é discutido entre os profissionais de saúde e o público interessado em geral.
Uma amiga minha dedica um blog inteiro sobre o assunto, a Lissandra Bischoff, e ela aborda com muita propriedade (pois sofreu com este problema e consegue controlar ) as formas de diagnóstico, tratamento e prevenção da mesma. Seu blog: http://www.resistencia-insulina.com.br/
Mark Sisson escreveu recentemente sobre o assunto também, resumidamente, e não vou me alongar muito no assunto, pois como já coloquei, a Liss aborda isto muito mais profundamente e extensivamente ,mas acho que deveria também dar uma pincelada no assunto.

Por Mark Sisson:


A maior parte da discussão dos níveis de insulina cronicamente elevados (hiperinsulinemia) e resistência à insulina gira em torno de seu relacionamento com o peso corporal. Isso não é surpreendente. O peso corporal é o que "vende ingressos". É por isso que a maioria das pessoas se interessa por dieta, saúde, fitness e nutrição - para perder peso ou evitar ganhá-lo.
Mas melhorar a sensibilidade à insulina e reduzir os níveis de insulina em jejum tem maiores ramificações para sua saúde, longevidade e resistência à doençasE não é apenas porque "o aumento do peso é insalubre". A própria insulina, em excesso, exerce efeitos gravemente prejudiciais.

Hiperglicemia

Se você é resistente à insulina, a insulina não funciona muito bem. Você precisa de mais para obter o mesmo efeito que uma pessoa sensível à insulina obteria. Quando a insulina não funciona, sua capacidade de retirar a glicose do sangue sofre, e a glicose no sangue aumenta e permanece alta. Isso é hiperglicemia. Todos "sabem" que o alto nível de açúcar no sangue é ruim, mas por quê? O que exatamente está errado?
Algumas células são receptores passivos de açúcar no sangue, enquanto outras têm mecanismos que impedem que o excesso de açúcar no sangue entre em suas membranas. Na presença de alto teor de glicose no sangue , os receptores passivos começam a produzir quantidades excessivas de espécies reativas de oxigênio (ROS). ROS não são patológicos por si só. Eles estão sinalizando as moléculas que nossos corpos precisam para uma função celular saudável . Mas a geração de ROS não controlada induzida por hiperglicemia causa muitos problemas.
Nas células endoteliais, a hiperglicemia inibe a produção de óxido nítrico . O óxido nítrico é um vasodilatador - ajuda nossos vasos sanguíneos a se alargar para acomodar o aumento do fluxo sanguíneo e reduzir o estrago do cisalhamento. Sem óxido nítrico suficiente, nossos vasos sanguíneos são mais suscetíveis à hipertensão arterial e nosso risco de doença cardíaca e aterosclerose aumentam .
Nos neurônios, a hiperglicemia causa encolhimento. Ninguém gosta de encolher, especialmente não nas células cerebrais, onde o pensamento ocorre.
Nas células beta pancreáticas , a hiperglicemia reduz a massa celular, induz o estresse oxidativo e reduz a funcionalidade. Uma vez que o pâncreas secreta insulina - o material utilizado para lidar com o excesso de glicemia - isso é desastroso.

Câncer

A insulina é um agente promotor do crescimento, e o câncer é uma doença de crescimento celular não controlado. Há algumas nuances para isso, é claro. Mas em geral, essas são declarações verdadeiras. Não é surpresa que a hiperinsulinemia seja um fator de risco para a maioria, senão para todos os cânceres .
Enquanto a insulina não é tudo quando se trata de câncer, os links são inegáveis ​​e inúmeros - e preocupantes.
A ligação entre o câncer de cólon e a hiperinsulinemia provavelmente envolve a maior disponibilidade de fatores de crescimento semelhantes a insulina em um estado hiperinsulinêmico. As mulheres pós-menopausa com variantes genéticas relacionadas à resistência à insulina e à hiperinsulinemia apresentam maior risco de câncer colorretal , e pacientes com câncer de cólon que comem os alimentos mais insulinogênicos têm resultados mais desfavorecidos.
No câncer de mama, a hiperglicemia aumenta a resistência dos tumores à quimioterapia . O controle da hiperglicemia torna a quimioterapia mais efetiva.
Pessoas com uma predisposição genética para a hiperinsulinemia  têm maior chance de desenvolver câncer de pâncreas .
Independente do peso corporal, a hiperinsulinemia prevê câncer de endométrio ; assim como uma alta resposta de insulina pós-prandial.
Os diabéticos que usam terapia com insulina têm um risco aumentado de câncer de fígado. Um estudo de diabéticos taiwaneses descobriu que aqueles em terapia com insulina têm um risco elevado de morrer de câncer e de não câncer.
Por outro lado, tanto em obesos como em pessoas de peso normal, a hiperinsulinemia, seja genética, simulada ou orientada pela dieta, aumenta a incidência e a mortalidade por câncer. 
Isso é bastante convincente, mas há uma chance de que essas sejam apenas associações e algum fator comum está causando tanto a hiperinsulinemia / resistência à insulina quanto o câncer. Certo?
O que parece contrariar essa hipótese é o efeito da metformina, uma droga antidiabética, sobre o câncer. Em comparação com outros medicamentos diabéticos , a metformina reduz o risco de câncer em diabéticos tipo 2 . O mecanismo de ação de Metformin? Uma redução nos níveis de insulina e melhora da resistência à insulina. 

Doença de Alzheimer

Alzheimer atinge as famílias como um "trem de carga", mas se você sabe o que procurar, você pode vê-lo chegando.
Alzheimer e outras formas de demência são caracterizados pela resistência à insulina no cérebro. Em experimentos em que os pesquisadores simulam o diabetes cerebral através da administração de drogas conhecidas por induzir a resistência à insulina no cérebro, parece quase exatamente como a doença de Alzheimer. Algumas pessoas até chamam diabetes tipo 3 de Alzheimer , tão intimamente está ligada à resistência à insulina. 
Os pacientes de Alzheimer têm alto nível de açúcar no sangue, mas seus neurônios são tão resistentes aos efeitos da insulina que não conseguem utilizar a glicose disponível para obter energia. É por isso que as dietas e cetonas (cetogênicas) em particular são tão úteis para a doença de Alzheimer; eles oferecem uma fonte de combustível alternativa que mesmo o cérebro resistente à insulina  pode utilizar.

Doença cardíaca

Independentemente da maioria dos outros fatores,  a resistência à insulina prediz risco de doença cardíaca Um dos  melhores preditores de risco de doença cardíaca - a relação HDL: triglicerídeos - também é um  barômetro preciso da resistência à insulina Quanto menor o seu HDL e quanto maior os seus triglicerídeos, mais provável é que você seja resistente à insulina. 
Os dois estão de mãos dadas, e não é apenas uma coincidência.
Como você viu na seção de hiperglicemia, a resistência à insulina pode aumentar o risco de doença cardíaca, aumentando a hiperglicemia e reduzindo a função endotelial. Isso prejudica a capacidade dos vasos sanguíneos de reagir aos estressores e os torna mais vulneráveis ​​à aterosclerose.

O que você pode fazer

Um grande passo, talvez o primeiro passo, quando você for resistente à insulina com hiperinsulinemia, ou mesmo suspeite que seja, é reduzir a ingestão do macronutriente mais insulinogênico : os carboidratos, principalmente os refinados. Isso  pára de alimentar o fogo até que você possa descobrir e resolver a causa raiz de sua disfunção.  
A próxima parte é mais difícil. Alguns são genéticos; haverá pessoas que simplesmente fazem mais insulina do que outras, ou que são mais resistentes à insulina como base. Muitas vezes, a disfunção é multifatorial, decorrente de uma dúzia de causas diferentes, todas as quais exigem sua atenção. Nas publicações passadas, expliquei estratégias para combater a resistência à insulina e reduzir a hiperinsulinemia . Se ainda não leu isso, faça isso.
Leve o assunto seriamente, seja o que for que você fizer. Uma cintura em expansão pode ser desagradável e indesejável, mas geralmente não atinge o medo em corações e mentes. Você sabe o que faz e o que deveria?
  • 1-Desenvolver um câncer que você não precisava desenvolver e morrer antes do que deveria.
  • 2-Vendo sua sanidade e identidade escapar (com seus membros da família desamparados assistindo em vão).
  • 3-Banhando seus neurônios e artérias em uma sopa hiperglicêmica tóxica até que se "molhe e atrofie".
Cuide da sua resposta de insulina, pessoal. É fundamental.